sábado, 19 de julho de 2008

ÓDIO MORTAL - Parte I

Harold despertou às três da madrugada. Ainda faltavam quatro horas para se levantar e ir para o trabalho. Mas um súbito acesso de raiva o impediu de continuar dormindo. O motivo era seu chefe, o esquelético senhor Watts. Harold trabalhava para ele há um ano em sua loja de ferragens no centro da cidade, onde era constantemente humilhado, além de trabalhar sozinho em um estabelecimento que exigia no mínimo o triplo de funcionários. Mas Harold não podia abandonar o trabalho, pois era legalmente incapacitado de trabalhar, devido a um acidente que sofreu quando trabalhava com construção civil, o que lhe custou parte do movimento de uma das pernas. Harold era casado, tinha dois filhos e morava de aluguel no subúrbio da cidade. Com sua parca aposentadoria do Estado, somada ao salário absurdamente baixo que ganhava na loja, Harold dificilmente conseguia manter a família alimentada e es contas pagas.

O sr. Watts sabia das dificuldades do pobre Harold, e abusava de sua condição constantemente. E era esse o motivo daquela insônia. Harold, que sempre fora submisso a toda a sorte de insultos e humilhações no trabalho, agora estava a ponto de explodir. Ele se levantou lentamente para não acordar sua jovem esposa, que passava o dia cuidando dos filhos, e foi até a cozinha, arrastando sua perna direita, para beber água. Ao abrir a geladeira, a mísera visão de uma garrafa de água, um maço de couves, um recipiente de arroz e uma caixa de leite conseguiu deixá-lo ainda mais irritado.

- Desgraça de vida miserável – murmurou ele, batendo a porta da velha geladeira, desistindo de beber a água

A caminho do quarto, ele se deparou com a esposa, a doce Marie.

- O que faz acordado, querido?
- Não consigo mais pregar o olho, é só isso – respondeu Harold, secamente
- Não é a primeira vez que vejo você vagando pela casa durante a noite. O que está acontecendo? – indagou Marie
- Aquele Watts é um demônio. Eu quero matá-lo! Juro que quero!
- Não diga isso querido, pelo amor de Deus. É graças a esse seu emprego que conseguimos nos sustentar!
- Não importa, não agüento mais! Não suporto mais olhar para aquele homenzinho com cara de caveira, e aquele ar prepotente. E ele vive dizendo que devo agradecer a ele, porque não dão empregos a aleijados.
- Mas é verdade, querido – disse Marie, pegando Harold pelo braço – se você não trabalhasse naquela loja, seria muito mais difícil para nós.
- Você tem razão – concordou ele – Mas tem sido difícil agüentar! Trabalho como um burro de cargas, carregando caixas pesadas cheias de parafusos e ferramentas, sem ninguém para me ajudar. Algumas noites mal consigo dormir por causa da dor na perna acidentada.
- Se Deus quiser, tudo ainda vai melhorar! – disse Marie
- Deus? – indagou Harold – Você e essa sua mania de religião! Deus só quer é me ferrar, só pode ser isso! Desde que despenquei daquele maldito andaime, nossa vida virou um inferno!
- Eu seu, querido, mas...
- Mas eu tenho que fazer alguma coisa para muda isso, Marie. Antes que eu mate aquele homem. Agora voltemos para a cama – disse Harold, enquanto tomava o rumo do quarto.

Um comentário:

nega disse...

Bom dia Roger!!
Gostaria de dizer que adorei o conto,o velho ruim tinha que morrer mesmo,mas achei que o fim deveria ser mais exato,oque aconteceu com a familia e a tragetória dele depois...e sugiro ter mais uma parte para especificar o final...certo????
Voce é muito criativo,que tal usar sua imaginação para voar mais alto em sua vida...é só voce correr atras.
Michelli